Aulas 1 e 2: Introdução e Mitos Culturais e Novos Paradigmas

O processo de evolução da ciência é concomitante com a evolução do pensamento humano sobre a visão de mundo que possuimos, por isso, os paradigmas vão se transformando. A ciência clássica levou ao conhecimento atual. Um exemplo para ilustrar essa evolução do pensamento humano ligado a Ciência é o paradigma da existência do fim do mundo. Na época pré-colombiana, durante as grandes navegações, os astronômos da época acreditavam que o fim do mundo era um grande abismo.

Após navegar muitos quilômetros para Ocidente, os marujos encontrariam um grande abismo considerado o fim do mundo. Apesar de que nunca ninguém o achou, a crença humana da época era essa.  Hoje, temos um novo paradigma, apesar de ainda não sabermos quando o mundo irá acabar e se ele vai acabar, a questão não é somente o fim do mundo, mas até onde conseguimos ir ao sairmos da Terra, e se há vida fora dela. A visão de mundo vai além do planeta Terra, hoje o horizonte humano é muito maior.

Novos paradigmas introduzem uma nova forma de ver o mundo e a ciência. Mas qual a finalidade da ciência?

A ciência é responsável pela produção de conhecimento, tecnologia, construção cultural. O seu desenvolvimento se dá principalmente para resolver problemas que vão surgindo ao longo dos tempos. Assim, a ciência sofre influências de caráter cultural, político, social e econômico. Ela é o caminho coletivo que nos conduz a verdade, e a verdade é o acordo entre a realidade e a idéia da realidade. A ciência é a descoberta da verdade. Quando se faz uma descoberta, é porque o que se descobriu já existia antes.

Eu creio naquilo que vejo e naquilo que escrevo. Meus sentidos me informam corretamente, eu interpreto aquilo que vejo. Meus sentidos me mostram a realidade. A verdade é algo imutável, até que alguém descubra uma nova verdade, ou seja, uma nova realidade. Nossos olhos só enchergam fragmentos, ou seja, nossa percepção é fragmentada; o cérebro é quem codifica a visão contínua. A percepção forma uma imagem exterior juntamente com a interior que o cérebro formou. Ou seja, o que percebemos pode não ser a realidade ou a realidade pode ter várias percepções ou interpretações.

NOVOS PARADIGMAS: Introdução das características do sujeito pensante como elemento fundamental, dentro das teorias científicas, ou seja, as características pessoais influenciam nos resultados.

Não vemos muitas coisas, porém, sabemos que elas existem. Como o átomo, por exemplo.

A idéia de átomo surgiu com o gregos, que pensavam que a matéria poderia ser dividida em partículas minúsculas. Porém, eles imaginavam que essa partícula teria as mesmas características macroscópicas, mesmo sendo uma partícula infíma. Hoje sabemos que a matéria é sim constituída por átomos e estes átomos são constituídos por subpartículas. Entretanto as propriedades macroscópicas da matéria não são as mesmas das microscópicas, ou em proporções atômicas. É curioso, entretanto, que o pensamento grego vai ao encontro com algumas concepções alternativas de alunos quando aprendem a propriedade descontínua da matéria nas aulas de Química. Dessa forma, a verdade não pode ser um acordo da nossa percepção dos nossos sentidos com a realidade. A verdade é formada por um acordo entre a percepção da mente individual juntamente com o pensamento coletivo. Tem-se a comunidade científica, que organiza, fiscaliza e julga o que é ciência, ou o que é a verdade no meio científico. O que é mais difícil é romper com o conhecimento, desobedecer intelectualmente romper com o que é evidente. Temos que sair do formato padrão, ir além das nossas percepções sensoriais.

Aristóteles pensava que as mulheres tinham menos dentes que os homens, mas ele nunca contou.

Conclusão: idéias repetidas podem ser consideradas verdade porque a maioria das pessoas acreditam nessa idéia.

No século XVII, Galileu rompeu como os paradigmas e formulou novas idéias com seu estudo do movimento dos corpos celestes. Hoje sabemos que tudo está em movimento, porque Eistein rompeu mais uma vez com a verdade e formulou a teoria da relatividade que afirma que o movimento depende de um referencial, ou seja, o movimento é relativo. Assim temos, mais uma vez, um novo paradigma, aceitar a incerteza.

A ciência é uma construção humana. Ela é subjetiva, está submetida a transformações e evoluções. Construímos a realidade e emoções. Assim, a ciência se torna mais complexa. As visões complexas são o produto de vários olhares, a partir de diferentes pontos de vista.

Entretanto, o todo não é igual a soma das partes; e se estudarmos as partes, nunca entenderemos o todo. Assim, existe a auto-organizaçao que é uma propriedade dos sistemas vivos, como a inteligência. Um “modelo de organização” tem forma de rede, analogamente ao  sistema nervoso do nosso corpo que é constituído por milhares de neurônios, onde ocorrem bilhões de sinapses, ou quando uma célula fecundada produz outras milhões de células. Esses são dois exemplos da  auto-organização nos seres humanos. Segundo Piaget, não há vida sem inteligência e não há inteligência sem a vida. O que temos é diferentes tipos de inteligência. A inteligência se manifesta de diferentes maneiras é isso que permite organização.

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