Aulas 6 e 8: Aprendizagem Baseada em Problemas e por Projetos e Pedagogia de projetos e novos paradigmas em educação

Assim como o pensamento humano e a Ciência evoluiram ao longo dos anos, a educação também precisa se modernizar. Como é o processo dessa modernização?

Revoluções Educacionais

  • 1ª Revolução Educacional: 500 anos A.C.

No Egito antigo haviam as chamadas Casas de instrução para formar sacerdotes e filhos de faraós, escribas (institucionalização da escola) até o século XVIII. O ensino era individualizado, na forma de tutoria, como por exemplo Aristóteles que foi o tutor de Alexandre, o Grande

  • 2ª Revolução Educacional: Séculos XVI a XIX:

Nesse período houve a consolidação dos estados europeus. Nessa época a igreja era responsável pela educação, e para o fortalecimento desses estados, a aristocracia precisava combater a igreja. Em 1787, Frederico Guilherme II, rei da Prússia decreta que a educação se torna pública e de responsabilidade do Estado. A educação se torna pública, ou seja, não mais individualizada, já tem a forma de sala de aula, porém, ainda para poucos, elitizada, e somente para meninos. Nos séculos XVIII e XIX, foi criado o modelo de transmissão de conhecimento, pois anteriormente o conhecimento estava nos livros, em bibliotecas e mosteiros. Ou seja, quem tinha acesso aos livros detinha o conhecimento e depois o transmitia.

  • 3ª Revolução Educacional: democratização e universalização – escola para todos

Nessa período ocorre um processo de inc;lusão das diferenças sociais, econômicas, psíquicas, físicas, culturais, religiosas, raciais, ideológicas e de gênero. Isso ocorre durante a década de 20 nos EUA e na Europa, porém, no Brasil, há apenas 20 anos. Baseados nos ideias franceses, no liberalismo inglês, no interesse no capital, no desenvolvimento do capitalismo, na industrialização, nas repúblicas, no voto, e  principalmente nas relações econômicas, pois a necessidade era de mão de obra especializada. Entretanto, nesse período surge a ideia de que quantidade prejudica a qualidade, ou seja, mais alunos diminui a qualidade do ensino. Esse modelo educacional não foi criado para inclusão, mas para a homogeinização da escola. Problemas gerados: Indisciplina, violência, formação de minorias.

  • 4ª Revolução Educacional: Século XIX

Estamos vivenciando a  quarta Revolução Educacional quando novas tecnologias invandem o ensino, para isso ele deve ter flexibilidade, autonomia, criatividade, currículo diferenciado pois agora o conhecimento não está centreado no professor. Surgem as metodologias ativas de aprendizagem, porque há uma mudança do foco do ensino para a aprendizagem. O aluno paasa a ter um papel ativo na construção do conhecimeto. Dessa forma necessita-se de novos padrões de pensamento de organização, que possibilitem o ensino não individualizado. Um tipo de metodologia ativa de aprendizagem é a aprendizagem baseada problemas (ABP).

ABP: “Estratégia pedagógica que apersenta aos estudantes situações significativas e contextualizadas no mundo real. Ao docente, mediador do processo de aprendizagem compete proporcionar recursos, orientação e instrução aos estudantes, a medida que eles desenvolvem seus conhecimentos e habilidades na resolução de problemas.” (Mavo, Donnellv, nash & schwartz, 1993).

Na ABP, buscam-se problemas extraídos da realidade pela observação realizada pelos alunos dentro de uma comunidade. Os alunos identificam os problemas e buscam soluções para resolvê-los.

Resolução de problemas – metodologia tradicional

  • Baseia-se no princípio de uma aprendizagem individualizada, centrada no aluno. Assim estão estruturadas a maioria dos cursos de medicina e da área de saúde que adotam o ABP;
  • A maioria dos cursos da universidade de Maastricht adotam essa perspectiva: você tem espaços de discussão coletiva mas o trabalho é individualizado;
  • Existe todo um cuidado na preparação do material didático, que direciona a aprendizagem dos estudantes.

A ABP tem origem canadense,  de aprendizagem individualizada, o aluno estabelece  a aprendizagem, baseado no liberalismo.

Maastricht`s seven jump process Schmidt 1983:

  1. Clarificar os conceitos;
  2. Definer o problema;
  3. Brainstorm, tomada de consciencia, discussão levando em conta conhecimentos prévios;
  4. Elaboração de explicações, tentando construir uma teoria pessoal;
  5. Formulação de questões de aprendizagem próprias
  6. Tenta preencher as lacunas do conhecimento através do seu próprio estudo;
  7. Coletivização do conhecimento aprendido

(ABPP) APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS E POR PROJETOS

  • Rompe com a visão de uma aprendizagem individaualizada, centrada no aluno, e adota o princípio de aprendizagem cooperativa, baseada no trabalho coletivo
  • Universidade de Aalbor (Dinamarca), assume pressuposto da pedagogia de projetos e de que os problemas a serem estudados devem ser reais e conectados às demandas da sociedade e da ciência. Isso promove, dentre outras coisas: integração entre educação e pesquisa; criatividade e inovação; desenvolvimento de habilidades de comunicação; aprendizagem efetiva; ambiente social; habilidades de gestão.

A aprendizagem centrada no aluno, mas no trabalho coolaborativo e cooperativo.

Palavras de Lee Schulman:  “Quando você realmente entende de fato a educação, percebe que ensinar é, essencialmente, uma questão de escutar. Já aprender requer que se fale”.

Pedagogia de projetos e novos paradigmas em educação

 Durante o século XX, foi-se percebendo que pressupostos das áreas disciplinares tradicionais não conseguiam explicar a complexidade de alguns fenômenos estudados. A circulação de conceitos, as interferências entre várias disciplinas em campos policompetentes e a busca por novas explicações para os fen6omenos da cultura da vida humana e da natureza acabaram por quebrar o isolamento das disciplinas. Por isso, cria-se a ideia da integração das ciências, ou seja, a interdisplinaridade. Mas não se defende aqui a abolição da separação por disciplinas, mas sim uma “conversa” entre elas, pois as disciplinas dão identidade ao ensino.

Entretnto, para algumas áreas é necessário um alto conhecimento específico, por exemplo, ressonância magnética, porém, o isolamento da ciência nao proporciona a aplicabilidade da teoria desenvolvida. Ou seja, o problema não está na especialização, mas na compartimentalização do ensino.

MULTIDISCIPLINARIDADE, INTERDISCIPLINARIDADE E TRANSDISCIPLINARIDADE

  • Multidisciplinaridade ou polidisciplinaridade: ocorre quando um determinado fenômeno a ser analisado solicita o aporte de várias disciplinas para explicá-lo. (Ex: pandemias da AIDS, politica, medicina, epidemologia)
  • Interdisciplinaridade: refere-se aquilo que é comum a 2 ou + disciplinas ou campos de conhecimento (ex: bioinformatica, bioengenharia) “conversa” entre as disciplinas é transversal, atravessa as disciplinas.
  • Transdisciplinaridade: refere-se a temáticas que ultrapassam a própria articulação entre as disciplinas (ex: desenvolvimento regional sustentável). Romper com a disciplina

É inegável a complexidade dessa nova organização educacional. E a tendência reducionista afirma que  a inclusão perde a qualidade e que a Universidade se baseia no tripé: docência, pesquisa e extensão. E as questões sociais, onde se encaixam nesse tripé?

TRANSVERSALIDADE

A transversalidade relaciona-se a temáticas que atravessam os diferentes campos de conhecimento, como se estivessem em uma outra dimensão. Entretanto, essas temáticas devem estar relacionadas à melhoria da sociedade e da humanidade e, por isso, relaciona temas e conflitos vividos pelas pessoas na sua vida cotidiana. A evolução da ciência e da humanidade ocorre devido ao conjunto, ou seja, a ciência encontra soluções para os  problemas da humanidade. Assim, é um pressuposto epistemológico, sobre que tipo de conhecimentos deve a humanidade e a ciência produzirem.

Qual é a finalidade da educação? Para que fazer ciência?

Para que essa educação provoque uma melhoria da sociedade. Ou será que é porque cai no vestibular?

Tenho tanto pra falar, mas não sei ao certo por que e pra quem.
Talvez eu queria apenas explodir de palavras e tirar de mim isso tudo.
São palavras, tantas palavras e sentimentos.
Tudo o que eu queria é um mundo de paz.
Um mundo de amor e felicidade.
Era o que eu queria [2x]

Por que somos obrigados a viver nessa rotina, todos tem que saber as mesmas coisas?
Tanto conhecimento… mas onde vão nos levar? onde vão?
Vestibular, trabalho, estágio, salário, subir de cargo..
E fazer aquilo que a gente ama?
Não tem como não?
Não tem como não?
Não tem como não?

Não, eu me nego a me adaptar com esta mundo, me nego a esquecer os meus sonhos.
Não eu me nego a viver so por viver, me nego a achar que só 60 ou 70 anos é tudo
Eu me nego a voltar, me nego a voltar, me nego a negar, me nego a negar.
Nao eu nao vou dizer que nada valeu a pena

Eu vou viver eu vou lutar eu vou seguir eu vou continuar.
E o que me faz seguir ainda é a fé.. é a fé, é a fé… no amor!

Letícia de Souza Araújo

Acredito que ainda temos que lidar com a questão da inclusão social e modificar a metodologia de ensino ultrapassada. Descartar o modelo de homogeinização e considerar que cada aluno se tornará um indivíduo e o professor tem grande responsabilidade nessa formação.

Para saber mais sobre a ABP e os temas transversais:

aprendizagem por meio de problemas

Livros:

  • Aprendizagem Baseada em Problemas no Ensino Superior

Ulisses F. Araújo e Genoveva Sastre – Editora Summus

  • Temas Transversais e a Estratégia de Projetos

Ulisses F. Araújo – Editora Moderna

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