Aula 5: Ética relacional e conflitos

Um modelo organizador é um sistema organizado que permite identificar a diversidade humana. Além disso, MOs permitem descrever situações com grande carga emocional, pois descrevem características dos sujeitos, tais como, pensamentos e sentimentos, ou seja, contextualizam os conteúdos para se dar conta da diversidade humana. Apesar de receber a nomeação de modelo, trata-se de um sistema dinâmico, pois é interdependente aos dados e seus significados. A modificação de um dado ou a inserção de um dado novo, implica em um reajuste ou mudança no MO.

Em uma situação real de uma pessoa em um conflito, a pessoa narra o problema, descreve seus pensamentos, sentimentos e comenta sobre outras pessoas. Um indivíduo constrói diferentes MOs e cada vez mais complexos em uma relação, assim, suas atitudes podem ser mais eficazes. A construção dos MOs nos permite explorar diferentes fases da percepção das pessoas e como elas atuam de forma diferente.

Divergências com a teoria de Piaget

Piaget considera apenas a inteligência e não leva em consideração a afetividade. Na teoria dos MOs a cognição e a afetividade são inseparáveis. Portanto, considera-se atitudes, pensamentos, sentimentos, afetividade e o contexto social que o indivíduo está inserido. Não há mais uma dicotomia, mas agora há múltiplos pontos de vista, ou seja, uma complexidade. Assim, a verdade agora é mais complexa, e a tendência humana é negá-la, porque sempre retomamos a ideia do reducionismo.

Então, superar um ponto de vista é crescer em termos de complexidade. É se aproximar da realidade com diferentes olhares. Dessa forma, o MO é dinâmico, porque ele se articula, se auto-constrói e se reconstrói muitas vezes ao longo da vida de um indivíduo.

Continuando com o exemplo do casal e a comemoração do aniversário de casamento:

Após o jantar, quando o casal chegou em casa, a esposa se sentiu menos amada pelo marido, e o marido sentiu que sua esposa não o valorizava. A esposa perguntou ao marido se ele gostou do jantar. Ele respondeu que sim, mas que para ele o mais importante era estar ao seu lado, e começou a relembrar fases da relação dos dois, e dos bons momentos que já haviam passado juntos. Ele começou a contar sobre o aniversário de 40 anos de sua esposa. Quando ele havia preparado uma grande festa surpresa com muitos amigos, colegas de trabalho e familiares. Ela se lembrou que eram tantos convidados que eles mal se falaram. Entretanto, naquela noite, tudo o que ela mais queria era estar ao lado de seu marido. Ele falou que isso era o que ele mais queria também, para todos os dias da vida dele, estar ao seu lado, e foi por isso que ele a levou para jantar fora, para estar ao seu lado, independente do lugar onde estiverem. A esposa percebeu que seu pensamento estava totalmente errado. O marido a amava muito, e não poderia adivinhar seus pensamentos, e que era mais fácil apenas responder a pergunta feita insistentemente. Enfim, ela perguntou ao marido se da próxima vez que eles forem jantar fora, se eles poderiam ir ao restaurante Francês que ela tanto gostava.

E ele respondeu: Claro que sim, porque você não falou antes, teríamos ido jantar lá hoje à noite.

Para saber mais sobre a teoria dos Modelos Organizadores:

Artigo: Juízos e valores morais: a perspectiva de investigação dos modelos organizadores do pensamento

Livros Montserrat Moreno Marimon e Genoveva Sastre:

Conhecimento e Mudança – Os Modelos Organizadores na Construção do Conhecimento

Resolução de Conflitos e Aprendizagem Emocional – Gênero e Transversalidade