Aulas 9 e 11: A construção social e psicológica dos valores e Educação moral e direitos humanos

“Toda moral consiste num sistema de regras, e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras”

Jean Piaget, o juizo motral na criança, 1932

 Os valores referem-se a trocas efetivas que o sujeito realiza com o exterior. Eles surgem da projeção de sentimentos sobre objetos e pessoas. O processo de construção de valores é diferente para cada pessoa, pois é uma ação de cada sujeito.

Universalidade

Limite de culturas, por exemplo, questão de gênero, nações que multilam mulheres, para nós é um absurdo mas em outras culturas não, e isso deve ser respeitado, partindo do pressuposto que não existem valores universais. Há culturas que existe pena de morte, culturas nômades cujas crianças defeituosas são deixadas porque não sobreviveriam.

Choque de culturas: como vemos uma cultural com a interpretação de outra, devemos dialogar, e não intervir através da violência. Se minha cultura diz que a democracia e a justiça se estabelece através do dialógo, não podemos fazer guerra. Se eu decido morar num país, eu devo seguir as regras daquela cultura. Os temas transversais permitem incorporar a pluralidade cultural, incorporar as diferenças.

declaração universal dos direitos humanos: é um guia para a nossa cultura.

Valores nas instituições de ensino

Valores e princípios que fundamentam e sustentam a declaração universal dos direitos humanos, pois a declaração dos universal dos direitos humanos é referência, para vários países, em termo de inclusão e educação para todos. De acordo com a conferência internacional em educação superior UNESCO, é papel da escola:

  • Desempenhar um papel de liderança na construção social do conhecimento global para enfrentar os desafios globais, incluindo a segurança alimentar, as mudanças climáticas, a gestão da água, o diálogo intercultural, as energias renováveis e a saúde pública.
  • Contribuir para a formação dos cidadãos com princípios éticos, comprometidos com a construção da paz…

Repensando os conteúdos, tempos, espaços e relações nas instituições de ensino comprometidas com a construção da paz, dos direitos humanos, e de valores de ética de democracia e cidadania, pode-se instituir fóruns públicos de ética e cidadania. Um fórum articula os diversos segmentos da comunidade escolar e não-escolar, em torno das temáticas de ética, convivência democrática, direitos humanos e inclusão social. Dessa forma, é preciso:

  • Romper os muros da escolas: projetos com a comunidade e problemas sociais locais. O aluno passa a ser responsável pelo processo educativo;
  • Construir relações sociais e interpessoais democráticas:  assembléias escolares; grêmios estudantis; estratégias de resolução e de mediação de conflitos;
  • Promover o protagonismo do sujeito que aprende: metodologias ativas de aprendizagem;
  • Implementar um currículo com temas de cidadania. 

Para saber mais:

Educação e Valores: Pontos e Contrapontos.  Ulisses Araújo e Josep Puig. Editora Summus

 Direitos Humanos na Educação Superior: Subsídios para a Educação em Direitos Humanos na Pedagogia.  Zenaide Ferreira e Dias. Mec/UFPB

 Educação E Valores: Pontos E Contrapontos. Ulisses Ferreira Araújo, Josep Puig e Valéria Amorim Arantes. Editora  Summus.

Cinco Estudos de Educação Moral Capítulo: O Ambiente Escolar e o Desenvolvimento do Juízo Moral Infantil.

Ulisses Araújo Editora Casa do Psicólogo


Aulas 6 e 8: Aprendizagem Baseada em Problemas e por Projetos e Pedagogia de projetos e novos paradigmas em educação

Assim como o pensamento humano e a Ciência evoluiram ao longo dos anos, a educação também precisa se modernizar. Como é o processo dessa modernização?

Revoluções Educacionais

  • 1ª Revolução Educacional: 500 anos A.C.

No Egito antigo haviam as chamadas Casas de instrução para formar sacerdotes e filhos de faraós, escribas (institucionalização da escola) até o século XVIII. O ensino era individualizado, na forma de tutoria, como por exemplo Aristóteles que foi o tutor de Alexandre, o Grande

  • 2ª Revolução Educacional: Séculos XVI a XIX:

Nesse período houve a consolidação dos estados europeus. Nessa época a igreja era responsável pela educação, e para o fortalecimento desses estados, a aristocracia precisava combater a igreja. Em 1787, Frederico Guilherme II, rei da Prússia decreta que a educação se torna pública e de responsabilidade do Estado. A educação se torna pública, ou seja, não mais individualizada, já tem a forma de sala de aula, porém, ainda para poucos, elitizada, e somente para meninos. Nos séculos XVIII e XIX, foi criado o modelo de transmissão de conhecimento, pois anteriormente o conhecimento estava nos livros, em bibliotecas e mosteiros. Ou seja, quem tinha acesso aos livros detinha o conhecimento e depois o transmitia.

  • 3ª Revolução Educacional: democratização e universalização – escola para todos

Nessa período ocorre um processo de inc;lusão das diferenças sociais, econômicas, psíquicas, físicas, culturais, religiosas, raciais, ideológicas e de gênero. Isso ocorre durante a década de 20 nos EUA e na Europa, porém, no Brasil, há apenas 20 anos. Baseados nos ideias franceses, no liberalismo inglês, no interesse no capital, no desenvolvimento do capitalismo, na industrialização, nas repúblicas, no voto, e  principalmente nas relações econômicas, pois a necessidade era de mão de obra especializada. Entretanto, nesse período surge a ideia de que quantidade prejudica a qualidade, ou seja, mais alunos diminui a qualidade do ensino. Esse modelo educacional não foi criado para inclusão, mas para a homogeinização da escola. Problemas gerados: Indisciplina, violência, formação de minorias.

  • 4ª Revolução Educacional: Século XIX

Estamos vivenciando a  quarta Revolução Educacional quando novas tecnologias invandem o ensino, para isso ele deve ter flexibilidade, autonomia, criatividade, currículo diferenciado pois agora o conhecimento não está centreado no professor. Surgem as metodologias ativas de aprendizagem, porque há uma mudança do foco do ensino para a aprendizagem. O aluno paasa a ter um papel ativo na construção do conhecimeto. Dessa forma necessita-se de novos padrões de pensamento de organização, que possibilitem o ensino não individualizado. Um tipo de metodologia ativa de aprendizagem é a aprendizagem baseada problemas (ABP).

ABP: “Estratégia pedagógica que apersenta aos estudantes situações significativas e contextualizadas no mundo real. Ao docente, mediador do processo de aprendizagem compete proporcionar recursos, orientação e instrução aos estudantes, a medida que eles desenvolvem seus conhecimentos e habilidades na resolução de problemas.” (Mavo, Donnellv, nash & schwartz, 1993).

Na ABP, buscam-se problemas extraídos da realidade pela observação realizada pelos alunos dentro de uma comunidade. Os alunos identificam os problemas e buscam soluções para resolvê-los.

Resolução de problemas – metodologia tradicional

  • Baseia-se no princípio de uma aprendizagem individualizada, centrada no aluno. Assim estão estruturadas a maioria dos cursos de medicina e da área de saúde que adotam o ABP;
  • A maioria dos cursos da universidade de Maastricht adotam essa perspectiva: você tem espaços de discussão coletiva mas o trabalho é individualizado;
  • Existe todo um cuidado na preparação do material didático, que direciona a aprendizagem dos estudantes.

A ABP tem origem canadense,  de aprendizagem individualizada, o aluno estabelece  a aprendizagem, baseado no liberalismo.

Maastricht`s seven jump process Schmidt 1983:

  1. Clarificar os conceitos;
  2. Definer o problema;
  3. Brainstorm, tomada de consciencia, discussão levando em conta conhecimentos prévios;
  4. Elaboração de explicações, tentando construir uma teoria pessoal;
  5. Formulação de questões de aprendizagem próprias
  6. Tenta preencher as lacunas do conhecimento através do seu próprio estudo;
  7. Coletivização do conhecimento aprendido

(ABPP) APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS E POR PROJETOS

  • Rompe com a visão de uma aprendizagem individaualizada, centrada no aluno, e adota o princípio de aprendizagem cooperativa, baseada no trabalho coletivo
  • Universidade de Aalbor (Dinamarca), assume pressuposto da pedagogia de projetos e de que os problemas a serem estudados devem ser reais e conectados às demandas da sociedade e da ciência. Isso promove, dentre outras coisas: integração entre educação e pesquisa; criatividade e inovação; desenvolvimento de habilidades de comunicação; aprendizagem efetiva; ambiente social; habilidades de gestão.

A aprendizagem centrada no aluno, mas no trabalho coolaborativo e cooperativo.

Palavras de Lee Schulman:  “Quando você realmente entende de fato a educação, percebe que ensinar é, essencialmente, uma questão de escutar. Já aprender requer que se fale”.

Pedagogia de projetos e novos paradigmas em educação

 Durante o século XX, foi-se percebendo que pressupostos das áreas disciplinares tradicionais não conseguiam explicar a complexidade de alguns fenômenos estudados. A circulação de conceitos, as interferências entre várias disciplinas em campos policompetentes e a busca por novas explicações para os fen6omenos da cultura da vida humana e da natureza acabaram por quebrar o isolamento das disciplinas. Por isso, cria-se a ideia da integração das ciências, ou seja, a interdisplinaridade. Mas não se defende aqui a abolição da separação por disciplinas, mas sim uma “conversa” entre elas, pois as disciplinas dão identidade ao ensino.

Entretnto, para algumas áreas é necessário um alto conhecimento específico, por exemplo, ressonância magnética, porém, o isolamento da ciência nao proporciona a aplicabilidade da teoria desenvolvida. Ou seja, o problema não está na especialização, mas na compartimentalização do ensino.

MULTIDISCIPLINARIDADE, INTERDISCIPLINARIDADE E TRANSDISCIPLINARIDADE

  • Multidisciplinaridade ou polidisciplinaridade: ocorre quando um determinado fenômeno a ser analisado solicita o aporte de várias disciplinas para explicá-lo. (Ex: pandemias da AIDS, politica, medicina, epidemologia)
  • Interdisciplinaridade: refere-se aquilo que é comum a 2 ou + disciplinas ou campos de conhecimento (ex: bioinformatica, bioengenharia) “conversa” entre as disciplinas é transversal, atravessa as disciplinas.
  • Transdisciplinaridade: refere-se a temáticas que ultrapassam a própria articulação entre as disciplinas (ex: desenvolvimento regional sustentável). Romper com a disciplina

É inegável a complexidade dessa nova organização educacional. E a tendência reducionista afirma que  a inclusão perde a qualidade e que a Universidade se baseia no tripé: docência, pesquisa e extensão. E as questões sociais, onde se encaixam nesse tripé?

TRANSVERSALIDADE

A transversalidade relaciona-se a temáticas que atravessam os diferentes campos de conhecimento, como se estivessem em uma outra dimensão. Entretanto, essas temáticas devem estar relacionadas à melhoria da sociedade e da humanidade e, por isso, relaciona temas e conflitos vividos pelas pessoas na sua vida cotidiana. A evolução da ciência e da humanidade ocorre devido ao conjunto, ou seja, a ciência encontra soluções para os  problemas da humanidade. Assim, é um pressuposto epistemológico, sobre que tipo de conhecimentos deve a humanidade e a ciência produzirem.

Qual é a finalidade da educação? Para que fazer ciência?

Para que essa educação provoque uma melhoria da sociedade. Ou será que é porque cai no vestibular?

Tenho tanto pra falar, mas não sei ao certo por que e pra quem.
Talvez eu queria apenas explodir de palavras e tirar de mim isso tudo.
São palavras, tantas palavras e sentimentos.
Tudo o que eu queria é um mundo de paz.
Um mundo de amor e felicidade.
Era o que eu queria [2x]

Por que somos obrigados a viver nessa rotina, todos tem que saber as mesmas coisas?
Tanto conhecimento… mas onde vão nos levar? onde vão?
Vestibular, trabalho, estágio, salário, subir de cargo..
E fazer aquilo que a gente ama?
Não tem como não?
Não tem como não?
Não tem como não?

Não, eu me nego a me adaptar com esta mundo, me nego a esquecer os meus sonhos.
Não eu me nego a viver so por viver, me nego a achar que só 60 ou 70 anos é tudo
Eu me nego a voltar, me nego a voltar, me nego a negar, me nego a negar.
Nao eu nao vou dizer que nada valeu a pena

Eu vou viver eu vou lutar eu vou seguir eu vou continuar.
E o que me faz seguir ainda é a fé.. é a fé, é a fé… no amor!

Letícia de Souza Araújo

Acredito que ainda temos que lidar com a questão da inclusão social e modificar a metodologia de ensino ultrapassada. Descartar o modelo de homogeinização e considerar que cada aluno se tornará um indivíduo e o professor tem grande responsabilidade nessa formação.

Para saber mais sobre a ABP e os temas transversais:

aprendizagem por meio de problemas

Livros:

  • Aprendizagem Baseada em Problemas no Ensino Superior

Ulisses F. Araújo e Genoveva Sastre – Editora Summus

  • Temas Transversais e a Estratégia de Projetos

Ulisses F. Araújo – Editora Moderna


Aulas 7 e 10: Design Thinking, educação em valores e transformação social

Durante o curso Ciência, Educação e Direitos Humanos fui apresentada a teoria chamada Design Thinking. Essas aulas foram ministradas pelo professor Reinhold Steinbeck do Instituto de Design da Universidade de Stanford.

Assim como o pensamento humano e a ciência evoluíram, os problemas que enfrentamos hoje são muito diferentes dos problemas do século passado. Ora, só fazem 11 anos que o século XXI começou, mas o mundo está bem diferente. Portanto, para solucionar novos problemas precisamos buscar novas soluções. O design thinkinig busca soluções inovadoras para esse novos problemas.

Design thinking  é um processo criativo baseado em compartilhar de ideias: É um protocolo que combina criatividade, empatia e racionalidade para resolver problemas e descobrir novas oportunidades de uma maneira prática e criativa. O medo do fracasso é extremamente limitado porque não há julgamento no início do processo. Este método promove a coleta de dados máxima e e participação nas fases posteriores do processo.

No design thinking almeja-se a satisfação das pessoas envolvidas no problema. Para isso, usa-se metódos inovadores e trabalho em equipe. Testar sempre é  o lema!

 

Criatividade: uma boa ideia surge em meio a muitas ideias!

Durante as aulas fizemos atividades práticas chamada Jigsaw Group Work e uma delas estava ligada a resolver problemas de uma escola. Para isso cada nos dividimos em grupos e cada aluno teve um papel diferente dentro do grupo professor, diretor ou aluno.

A primeira etapa do design thinking consiste em conhecer a comunidade e seus problemas e necessidades. em seguida, aprofundar seus conhecimentos, através de histórias específicas, fatos, relatos etc.

Assim, no role-play, cada um foi entrevistado visando conhecer e buscar as necessidades de cada personagem.

Após essa etapa, todos os “professores”, “diretores” e “alunos” se reuniram com seus grupos, respectivamente, para tentar encontrar padrões, achar as necessidades e definir problemas.

Cada característica encontrada foi escrita em um post-it e depois os post-its foram agrupados, criando personas:

PROFESSOR

DIRETOR

ALUNO

Com essa aparência, é possível aplicar o design thinking em uma escola que enfrenta problemas, fixar um mural na escola, onde todos tenham a liberdade de escrever problemas que observa dentro da escola. Dessa forma, todos tem acesso e podem modificar ou acrescentar informações nesse mural.

Essa técnica foi aplicada na Iowa State University, e a experiência foi exemplifica pelo professor Reinhold durante a aula. Nessa universidade, estava-se tentando criar um novo curso de Educação. Alunos, professores e pessoas da comunidade tiveram participação ativa nesse processo de criação.

Para saber mais:

http://lemill.net/methods/jigsaw-group-work

http://stanford.edu/~reinhold/homepage/Reinhold_Steinbeck.html

http://www4.usp.br/index.php/educacao/21057

http://designthinkingforeducators.com/

http://www.stanford.edu/~reinhold/homepage/Media___Reinhold_Steinbeck.html

Livro: Design Thinking – Uma Metodologia Poderosa Para Decretar O Fim Das Velhas Ideias

autor: Tim Brown Editora: Campus


Aula 4: A construção de universos mentais

Os modelos organizadores proporcionam instrumentos para introduzir novos elementos na ciência, os novos paradigmas. Esses novos paradigmas são constituídos pela subjetividade dos sujeitos, pela construção da ciência pelo homem, pela complexidade e auto-organização dos seres vivos. A mudança do pensamento humano e da sociedade nos remete ao construtivismo e a introdução de aspectos emocionais e afetivos nos remete à complexidade Para cada indivíduo existe uma realidade diferente. Cremos naquilo que sentimos e pensamos.

Os modelos organizadores permitem o conhecimento e a aplicação de idéias, a partir de construções de universos mentais.

Por exemplo, a primeira vez que conhecemos uma pessoa, pensamos que a conhecemos. Porém, com o passar do tempo, minha percepção sobre aquela pessoa pode mudar.

Estamos acostumados a acreditar em que o que vemos é a realidade. Porém, a realidade não é única, ela é individual e pessoal. A verdade absoluta não existe, a verdade é uma invenção dos homens. O que temos são aproximações da realidade, e a partir de um consenso, uma determinada aproximação é eleita verdadeira.  

Características dos modelos organizadores (MO)

a)      Um MO é um sistema organizado de representações que o indivíduo constrói a partir de dados, que são selecionados em um fenômeno ou uma situação determinada. O indivíduo atribui significados diferentes para esses dados de acordo com o fenômeno ou a situação determinada.

b)      Como consequência, não serão todos os dados de um fenômeno ou de uma situação determinada que estarão presentes no correpondente MO do indivíduo, já ele seleciona somente aqueles dados que ele considera significativo.

c)      Os dados que um determinado indivíduo não atribui significado não faz parte daquele MO. Assim, o indivíduo age como se aquele dado não existisse, mesmo ele sendo conhecido.

d)      Diante de uma mesma situação, diferentes indivíduos podem atribuir como significativos dados diferentes.

e)      Um mesmo dado pode ter diferentes significados, ou seja, interpretações diferentes para diferentes indivíduos, ou para um mesmo indivíduo e momentos  diferentes, em função de outros elementos considerados.

f)       Na seleção de dados e na correspondente atribuição de significado, ocorre a intervenção de fatores de origem cognitiva e de origem emocional.

g)      Da mesma maneira que nem todos os dados observáveis estão presentes no MO, também nem todos os dados presente no MO figuram entre os observáveis, já que existem alguns que são o produto de conclusões livres do indivíduo, da sua imaginação, sem nenhum referente observável, construído por ele para dar coerência ao conjunto.

h)      A organização do modelo tem uma estreita interação com o tipo de dado selecionado, com o seu significado e com suas implicações. Sua função consiste em estabelecer determinados tipos de relações entre todos os elementos que figuram no modelo, para assegurar sua coerência interna. A organização operatória é um caso particular de organização entre outras possíveis.

i)        Dado que todos os elementos que compõem o modelo organizador são interdependentes, a modificação de um deles ou a inserção de um novo, implica reajuste de tudo ou mudança mais ou menos radical do MO.

j)        Cada indivíduo apóia uma situação nova em outra já experimentada, e age de maneira análoga a situação anterior. Porém, não é possível fazer esta ligação se não há referentes reais, portanto não há conexão entre os MO.

k)       Os MO constituem um referencial das teorias, porém não para os fenômenos que pretendem descrever, isso possibilita a explicação psicológica das mudanças de paradigma, pois nunca se completam todos os dados possíveis em nehuma teoria.

Exemplo: No dia de aniversário de casamento, um casal começa a discutir porque não entram em acordo sobre a escolha do restaurante para jantar. O marido pergunta à esposa onde ela quer ir jantar, e a esposa responde que ele pode decidir onde eles irão.  O marido prefereria ir em um churrascaria para saborear uma boa carne mal passada em um rodízio, porém, pensa melhor e pergunta à esposa onde ela gostaria de ir, pensando em fazer uma gentileza e deixar que ela escolha o restaurante. Já a esposa que adora um restaurante francês, onde a comida é cara e as porções são de acordo com sua dieta de pouquíssimas calorias, pensa que se seu marido a ama e a conhece bem, portanto, ela tem certeza de que ele sabe qual é o seu restaurante preferido e vai escolhe-lo para levá-la. O marido inssite em perguntar à esposa onde ela gostaria de ir, pensando que está a agradando, já a esposa se entristece por pensar que seu marido não a conhece, ou seja, não a ama mais. Após perguntar mais uma vez, a esposa escolhe o mesmo restaurante sem graça do bairro e o marido aceita sua decisão, achando que está fazendo algo maravilhoso pela esposa, embora esteja mesmo é desejando comer um grande filé.

 Chegando no restaurante, o marido faminto, pergunta logo à esposa qual prato ela deseja comer. Mais uma vez, a esposa se entristece por ele não ter adivinhado sua escolha, e agora também não adivinhou que  estava passando em sua mente. O marido percebe que não está a agradando e fica aborrecido, afinal, ela deveria agradecê-lo pois eles estavam jantando fora bem no meio da semana mais atribulada no trabalho, quando ele queria mesmo era relaxar assistindo televisão. Após o jantar, quando o casal chega em casa, a esposa se sente menos amada pelo marido, e o marido sente que sua esposa não o valoriza.

Cada indivíduo organiza os dados de maneira única e exclusiva e atribuem significados diferentes em uma mesma situação.

 


Aula 3: Sentimentos e moral

Os paradigmas tradicionais, na maioria da vezes são dicotômicos, por exemplo, existem seres vivos inteligentes e outros não. Com os novos paradigmas, o questionamento é alterado para quais tipos de inteligência existem nos seres vivos. Quais tipos de consciência os seres vivos podem ter.

            Para coordenar esses novos paradigmas, Montserrat Moreno Marimon e Genoveva Sastre apresentaram a Teoria dos Modelos Organizadores (MO). Essa teoria foi identificada na resolução de um dilema moral de Kohberg.  Para ele as pessoas desenvolvem ações, pensamentos, fantasias, temores, expectativas, sentimentos e a interação com o contexto social. A partir dessas suas ações, pensamentos, sentimentos, fantasias, temores, expectativas, vão construindo a si mesmas e criando novas maneiras de viver em uma cultura.

            Assim, não podemos julgar a atitude de uma pessoa, sem antes analisarmoso contexto em que ela se encontrava. Porém, para isso acontecer, temos que sair do estereótipo, ou seja, julgar não com os nossos padrões, e sim nos colocarmos no lugar da pessoa julgada. Por exemplo, em uma situação em que uma criança agrediu o colega na escola aparentemente sem motivo. Tem-se que investigar a situação e se posicionar em seu lugar para assim julgar e descobrir porque ela agiu de maneira violenta. Ela pode conviver com familiares violentos em casa, ou estar sofrendo bullying na escola sem que os professores tenham percebido.

O julgamento e a moral devem ser contextualizados na situação em que o indivíduo está inserido.


Aulas 1 e 2: Introdução e Mitos Culturais e Novos Paradigmas

O processo de evolução da ciência é concomitante com a evolução do pensamento humano sobre a visão de mundo que possuimos, por isso, os paradigmas vão se transformando. A ciência clássica levou ao conhecimento atual. Um exemplo para ilustrar essa evolução do pensamento humano ligado a Ciência é o paradigma da existência do fim do mundo. Na época pré-colombiana, durante as grandes navegações, os astronômos da época acreditavam que o fim do mundo era um grande abismo.

Após navegar muitos quilômetros para Ocidente, os marujos encontrariam um grande abismo considerado o fim do mundo. Apesar de que nunca ninguém o achou, a crença humana da época era essa.  Hoje, temos um novo paradigma, apesar de ainda não sabermos quando o mundo irá acabar e se ele vai acabar, a questão não é somente o fim do mundo, mas até onde conseguimos ir ao sairmos da Terra, e se há vida fora dela. A visão de mundo vai além do planeta Terra, hoje o horizonte humano é muito maior.

Novos paradigmas introduzem uma nova forma de ver o mundo e a ciência. Mas qual a finalidade da ciência?

A ciência é responsável pela produção de conhecimento, tecnologia, construção cultural. O seu desenvolvimento se dá principalmente para resolver problemas que vão surgindo ao longo dos tempos. Assim, a ciência sofre influências de caráter cultural, político, social e econômico. Ela é o caminho coletivo que nos conduz a verdade, e a verdade é o acordo entre a realidade e a idéia da realidade. A ciência é a descoberta da verdade. Quando se faz uma descoberta, é porque o que se descobriu já existia antes.

Eu creio naquilo que vejo e naquilo que escrevo. Meus sentidos me informam corretamente, eu interpreto aquilo que vejo. Meus sentidos me mostram a realidade. A verdade é algo imutável, até que alguém descubra uma nova verdade, ou seja, uma nova realidade. Nossos olhos só enchergam fragmentos, ou seja, nossa percepção é fragmentada; o cérebro é quem codifica a visão contínua. A percepção forma uma imagem exterior juntamente com a interior que o cérebro formou. Ou seja, o que percebemos pode não ser a realidade ou a realidade pode ter várias percepções ou interpretações.

NOVOS PARADIGMAS: Introdução das características do sujeito pensante como elemento fundamental, dentro das teorias científicas, ou seja, as características pessoais influenciam nos resultados.

Não vemos muitas coisas, porém, sabemos que elas existem. Como o átomo, por exemplo.

A idéia de átomo surgiu com o gregos, que pensavam que a matéria poderia ser dividida em partículas minúsculas. Porém, eles imaginavam que essa partícula teria as mesmas características macroscópicas, mesmo sendo uma partícula infíma. Hoje sabemos que a matéria é sim constituída por átomos e estes átomos são constituídos por subpartículas. Entretanto as propriedades macroscópicas da matéria não são as mesmas das microscópicas, ou em proporções atômicas. É curioso, entretanto, que o pensamento grego vai ao encontro com algumas concepções alternativas de alunos quando aprendem a propriedade descontínua da matéria nas aulas de Química. Dessa forma, a verdade não pode ser um acordo da nossa percepção dos nossos sentidos com a realidade. A verdade é formada por um acordo entre a percepção da mente individual juntamente com o pensamento coletivo. Tem-se a comunidade científica, que organiza, fiscaliza e julga o que é ciência, ou o que é a verdade no meio científico. O que é mais difícil é romper com o conhecimento, desobedecer intelectualmente romper com o que é evidente. Temos que sair do formato padrão, ir além das nossas percepções sensoriais.

Aristóteles pensava que as mulheres tinham menos dentes que os homens, mas ele nunca contou.

Conclusão: idéias repetidas podem ser consideradas verdade porque a maioria das pessoas acreditam nessa idéia.

No século XVII, Galileu rompeu como os paradigmas e formulou novas idéias com seu estudo do movimento dos corpos celestes. Hoje sabemos que tudo está em movimento, porque Eistein rompeu mais uma vez com a verdade e formulou a teoria da relatividade que afirma que o movimento depende de um referencial, ou seja, o movimento é relativo. Assim temos, mais uma vez, um novo paradigma, aceitar a incerteza.

A ciência é uma construção humana. Ela é subjetiva, está submetida a transformações e evoluções. Construímos a realidade e emoções. Assim, a ciência se torna mais complexa. As visões complexas são o produto de vários olhares, a partir de diferentes pontos de vista.

Entretanto, o todo não é igual a soma das partes; e se estudarmos as partes, nunca entenderemos o todo. Assim, existe a auto-organizaçao que é uma propriedade dos sistemas vivos, como a inteligência. Um “modelo de organização” tem forma de rede, analogamente ao  sistema nervoso do nosso corpo que é constituído por milhares de neurônios, onde ocorrem bilhões de sinapses, ou quando uma célula fecundada produz outras milhões de células. Esses são dois exemplos da  auto-organização nos seres humanos. Segundo Piaget, não há vida sem inteligência e não há inteligência sem a vida. O que temos é diferentes tipos de inteligência. A inteligência se manifesta de diferentes maneiras é isso que permite organização.